Produzido pela equipe de Comunicação Internacional dos Estudantes do OCUPA IGC

 

Introdução – O que é uma ocupação e por que lutamos

Participar de uma ocupação não é ficar batendo papo de pernas pro ar e impedir os professores de ministrarem suas aulas, nem um período de férias para ficar em casa assistindo filmes e colocando as séries em dia, ou muito menos é coisa de pessoas sem serviços e desocupadas (como muitos dizem). Estar em uma ocupação não é somente ocupar um espaço, é estar ocupado!

Estamos ocupados construindo o Brasil que queremos, ou ao menos lutando por ele. Não é um semestre que está em jogo, são vinte anos do nosso futuro, o futuro da tão sofrida educação e saúde brasileira. O Ocupa IGC é um movimento articulado e organizado, formado pelos estudantes independentes de partidos políticos dos cursos da Geografia, Geologia e Turismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Somos organizados em comissões que buscam manter intacto o patrimônio público, suprir as necessidades básicas dos ocupantes (como alimentação), além de promover eventos de caráter didático e articular a comunicação entre as outras ocupações (universitárias e secundaristas).  

As experiências vivenciadas na ocupação são de caráter único. Nós estudantes estamos aprendendo com palestras ministradas por professores, advogados, funcionários públicos e até mesmo figuras políticas como a vereadora mais votada de Belo Horizonte (Áurea Carolina), sem se preocupar com notas e trabalhos acadêmicos. Estamos agregando conhecimento, não para conseguir uma aprovação em uma disciplina, mas sim para enriquecimento individual e coletivo. Os banheiros da Instituição nunca estiveram tão limpos, até os pátios estão sendo lavados, estamos trabalhando em conjunto, com pessoas de cursos diferentes, essa aproximação não é só nossa, professores que nunca tinham se encontrado nas reuniões de congregação estão se aproximando.

Reflexões com base nas vivências do dia primeiro de novembro (01/11/2016)

Começamos o dia com uma palestra sobre a Luta pelo direito ao Território com o professor Klemens Laschifski do curso de Ciências socioambientais na UFMG às nove horas da manhã, uma das ponderações importantes a serem destacadas, é a importância dos interesses que estão sendo defendidos nas aprovações de projetos ambientais.

Não é novidade para ninguém que na maior parte dos casos, os interesses defendidos são os dos detentores de capitais, sendo que as negociações dos projetos são bem articuladas e são os representantes das empresas interessadas que apresentam os projetos e os impactos ambientais e sociais. As comunidades mais fracas e com menor poder de articulação, que geralmente são as populações que poderão ser prejudicadas, não possuem aparatos tecnológicos, nem representantes com uma capacidade tão grande oratória como as grandes empresas, o que faz com que os mesmo (que podem ser pequenos agricultores, pequenas comunidades e até mesmo comunidades indígenas) se manifestam a favor do projeto sem realmente compreender o que estavam aprovando e a gravidade e complexidade da decisão. O que não é uma situação muito diferente em relação a PEC 241, que tramita agora no Senado como PEC 55, uma vez que boa parte da população que não têm conhecimento da dimensão dos impactos que podem ser causados caso a PEC seja aprovada, fica inerte e não a questiona por achar que é a melhor saída para a situação complicada que estamos vivenciando.

Ao final desta palestra foi iniciada uma roda de conversa sobre o tema, onde conversamos sobre a importância de termos em mente o que queremos construir no território, assim como é importante lutar pelo “Direito à cidade” , temos que como um país democrata exercer o “controle social” (termo mencionado pelo palestrante), pois como uma sociedade democrática temos que reagir às medidas que acreditamos que nos prejudicam e pressionar o governo conforme nossas reivindicações, pois os mesmo são nossos representantes e precisam estar atentos às demandas propostas pelas populações.

A conversa entre a Vereadora Áurea Carolina e os ocupantes e visitantes do IGC girou em torno do contexto dos movimentos sociais na atual conjuntura política do Brasil. Ela nos disse como foi sua trajetória até sua expressiva vitória, sendo a vereadora mais votada em BH. Na conversa, foi reforçada a ideia de que devemos neste momento, onde estamos perdendo direitos já adquiridos, nos fortalecer para que nos próximos anos tenhamos uma melhor representatividade, o que infelizmente ainda não temos.  Lutando e resistindo sempre e acreditando que podemos construir um futuro diferente em longo prazo, sem nos deixar abalar pelas dificuldades que virão.

Na assembleia diária realizada ao meio dia e meio, vale ressaltar a aprovação da Nota sobre a posição do Ocupa IGC em relação ao ENEM (nota que se encontra na página do movimento no Facebook OCUPA IGC), gostaríamos de ressaltar que não somos contra o ENEM e nem aos seus candidatos, entretanto acreditamos que ao lutar em defesa do futuro da educação do país estamos também lutando em favor dos candidatos, pois o projeto de emenda constitucional coloca em risco a existências das Universidades Públicas e dos programas de financiamento, que muitos desses candidatos ao ENEM pretendem usar para ingressar na Universidade.

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